NOOOOTÍCIA (By Zero Hora)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Johnie Walked

Loser - Picanha Esperança

Em mais uma das minhas andanças pelos blogs mundo afora encontrei um mestre nos contos de humor, o Pedro Ivo que os publica no Loser. Leia mais clicando AQUI.


Picanha Esperança


Conhecia esse camarada, o Reinaldo. Cheio de boas intenções e planos. De vez em quando surgia com umas idéias estúpidas, isso é verdade. A última dele era uma churrascaria a domicílio. E mesmo não sendo muito chegado numa picanha, decidi encomendar um churrasco para prestigiar o amigo. Quinze minutos depois alguém bate na minha porta. Era um gaúcho de bombachas, segurando um espeto de carne:

- Queres uma alcatra?

Peguei meu prato e fui servido com algumas fatias de carne. Vinte minutos depois alguém bate de novo na porta:

- Oooolha a picanha...

Mais quinze minutos...

- E aí, vais de coraçãozinho? Tá uma maravilha.

Já eram duas da manhã, eu precisava dormir e não parava de aparecer gaúcho na minha casa. Comecei a achar isso meio estranho e coloquei um desses avisos vermelhos de churrascaria na minha porta: "Estou satisfeito / I´m satisfied". Durante dias eu ficava ouvindo passos de espora e um barulho de bombachas no corredor. Alguém sempre chegava até a minha porta, lia o aviso e soltava uma grosseria:

- Mas eu vou é enfiar esse espeto no cu da tua mãe, tchê!

E assim ia embora. Depois de um tempo eu acabei me enchendo de tudo aquilo e liguei pedindo a conta. Alguém do outro lado da linha me avisou que o Reinaldo tinha abandonado a churrascaria. Ele estava se dedicando à sua nova empreitada: criar um apresuntado gigante que começaria em uma praia da Bahia e terminaria em Teresina, capital do Piauí.

- Reinaldo vai acabar com a fome do Nordeste!

O camarada era mesmo foda. Fiquei contagiado com esse espírito sonhador do Reinaldo e decidi colaborar com a campanha 0800 da TV Globo.

- Você ligou para o Criança Esper...
- Alô? Doutor Roberto?
- ...ança, para fazer a sua doação você precis...
- Eu queria falar com o Roberto Marinho... Alô?
- ... ouvir toda a gravação...
- Seu Roberto, eu queria fazer uma doação...
- Obrigado! ... [ tu ]... [ tu ]... [ tu ]...

Puta que pariu, tinha ficado chateado com isso. Desci pra rua, vi um menor abandonado e dei quinze reais para ele.

- Toma guri, pra tu se drogar.
- Valeu, tio.

Dr. Love em Ela tem AIDS, eu não. Como?

Dando uma olhada nos blogs por aí, encontrei um consultor sentimental (que tá mais pra consultor sexual), com doses cavalares de humor. Vale a pena dar uma olhadinha. Se gostar dessa 'consulta', clique AQUI e leia outras.

Ela tem AIDS, eu não. Como?


Pergunta: “Descobri este ano que minha namorada contraiu o vírus da AIDS, logo após fiz um exame, mas o mesmo deu negativo.
Dr. Love, consultor amoroso e cachorrão nas horas vagas

A gente já tem um relacionamento de 06 anos, como isso foi acontecer?

E por que eu não tenho o vírus??

Atenciosamente.”

- Ralfh

Caro Ralfh,

Tem gente que morre se você não mandar respirar

“A gente já tem um relacionamento de 06 anos, como isso foi acontecer?“

o tom de sua pergunta é tão pacífico que você parece ignorar por completo a possibilidade dela ter se relacionado com outro. Óbvio, ela pode ter pego a doença por outros caminhos menos convencionais, você não mencionou se ela faz algum tipo de tratamento que envolva transfusão de sangue.

Em todo caso, vou te dar o passo-a-passo da Opção B, aquela que você não quer ouvir:

1. Ela te traiu

2. Ela provavelmente te traiu mais de uma vez, com um homem portador do vírus HIV

3. Ela não usou camisinha. Mais, meu lado perverso é capaz de enxergar ela dizendo “vai, enfia sem mesmo”.


“E por que eu não tenho o vírus??“

Mesmo que você faça sexo desprotegido com uma pessoa que tenha AIDS, a chance de contaminação não é 100%. Como vocês namoram há seis anos, ou você é o sujeito mais sortudo desse lado do universo ou ela contraiu o vírus recentemente.

Agora eu tenho uma pergunta para você, como descobriu que ela tem o vírus? E outra, ainda está namorando com ela?

Faça um segundo teste, tanto você como ela, a contra-prova é fundamental.

Enquanto pensa nisso e acorda desse mundo de colinas verdes e unicórnios onde está passeando, te indico dois artigos escritos por meu amigo Dr. Health:

AIDS: tudo o que você precisa saber

Meu namorado tem AIDS. O que faço?


Dr. Love, consultor amoroso e cachorrão nas horas vagas

Pole Position humana

E o pior é que não parece ser uma criação japonêsa.

Música criada com os alertas de erro do Windows

Pra quem usa o Windows e está acostumado a ouvir aqueles sons toscos originais: alguém inventou de criar uma música usando auqeles barulhinhos chatos como base. Bom.

Pearl Jam - Black e Oasis - Wonderwall em versões com legendadas que aparentam ser cantadas em português

Aquelas clássicas musiquinhas traduzidas para o português pra dar risada.

Pearl Jam - Black




Oasis - Wonderwall

domingo, 26 de agosto de 2007

Comentário pertinente




DE ONDE VIRÁ O GRITO?

Num texto anterior introduzi o conceito de "Ressentimentos Passivos ". Para relembrar, lá vai um trecho: "Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam "que horror". Sabem do roubo do político e falam "que vergonha". Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam "que absurdo". Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem "que baixaria". Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram "que medo". E pronto! Pois acho que precisamos de uma transição "neste país".

Do ressentimento passivo à "participação ativa".

Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém.
No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra!

"Como a aurora precursora
do farol da divindade,
foi o vinte de setembro
o precursor da liberdade" .

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem.
Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é "comunidade". Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo. Sabe como é que os "ressentimentos passivos" se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de "basta" contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será.
Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem "liga". Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes. Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa "liga". A mesma que eu vi em Porto Alegre.
Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.
Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles. De minha parte, eu acrescentaria, ainda:
"...Sirvam nossas façanhas,
de modelo a toda terra..."


texto de Luciano Pires